Noite fechada trouxe-me aqui ao alto portão de ferro Agarro-me às grades como um escravo da luz de breu Passo o portão e em dois passos estou na abadia que parecia distar léguas Um cheiro fétido a suor e a burel revelam um monge que me fita silencioso Trespassa-me uma ventania de claustro e o piso antes terroso é agora de pedra Não consigo articular uma palavra apenas sons abafados pelos sinos que me ensurdecem Os olhos de dentro do capuz indicam agora um rectângulo da lajeGravado está o meu nome o dia do meu nascimento e o desta noite.
E de repente percebeu que tudo aquilo por que lutara havia deixado de ser importante para as pessoasPerguntava-se até se alguma vez o foraChegara a ter a impressão de que se sorriam deleSurdiu-lhe uma angústia enormeO peito doía-lhe e comprimia-seVivera em vão e isso estava para além do que podia suportar