Converso
Com o verso
Que percorreu
Todo o teu corpo.
(aqui)
domingo, 26 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
A MÁSCARA
O riso
A mofa
O escárnio
Para que se não repare neste pobre
Mamífero à mercê do acaso
A lisonja por seguro de vida
O desdém em fuga ao compromisso
O urro que apavora em confronto.
Ergo-me deste inferno
Burlão
Gatuno
Assassino se mo permitirem
Ergo-me consternado deste inferno em que vivo.
Que retrato é o meu?
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James Ensor
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
VERDE (CORES & NOMES)
O minho é verde cumeadas de verde mesmo quando se nos mostram escalavradas no gerês.
Digo minho e penso em camilo.
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Camilo Castelo Branco,
estesias
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
ETERNIDADE
É tarde
Andei à procura
Da tal eternidade
E não a encontrei.
Ainda não é tarde
Falta-me um guia
Para a eternidade
Que desconheço.
A tal eternidade que
Está em nós em
Mim em ti nos
Dois nós dois num
Instante da tal
Eternidade que
Acaba e dura
Para sempre.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
ENTRE PARÊNTESES
De gatas e sorris
Candura posta entre parênteses
Para onde foste nessa hora quando te chamei
Puta
E investi desvairado como um cão?
A candura entre parênteses
De gatas
E sorriste.
Onde ficaste nessa hora?
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
VEM
Já somos nada
Quando a morte nos persegue.
Quando a morte nos persegue.
Esperamo-la implacável
Com o anúncio dos primeiros sinais.
Com o anúncio dos primeiros sinais.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
ESPERA
Noite fechada trouxe-me aqui ao alto portão de ferro Agarro-me às grades como um escravo da luz de breu Passo o portão e em dois passos estou na abadia que parecia distar léguas Um cheiro fétido a suor e a burel revelam um monge que me fita silencioso Trespassa-me uma ventania de claustro e o piso antes terroso é agora de pedra Não consigo articular uma palavra apenas sons abafados pelos sinos que me ensurdecem Os olhos de dentro do capuz indicam agora um rectângulo da laje Gravado está o meu nome o dia do meu nascimento e o desta noite.
Agosto de 2000
(com alterações)
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
ESPECTROS
Dos meus mortos não fica a memória senão em mim e que em mim morrerá
Justiça do tempo para os que viram a vida passar?
Alguns não deixaram rasto e toda a sua vida fez sentido.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
SUBLIME PORTA
Amolece-te a vontade
O vapor do banho turco.
O vapor do banho turco.
A memória de há pouco todo o querer
Já passou.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
ESCREVES...
Escreves escreves escreves escreves
Nada do que dizes rompe a superfície do papel.
Escreves escreves escreves escreves
Entre o panache a a autocomiseração
O artifício e a louvaminha
O lacrimejar e a traição
Escreves escreves escreves escreves
E tudo quanto escreves escreves escreves
Escreves tem o selo de validade para hoje
Promoção de último modelo
Gravata de saldo
Embuste de tablóide
Passatempo de televisão.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
POESIA PUTA
A poesia puta pede favor
Enfeita-se faz efeito quer impressionar.
É da barganha a poesia puta
Joga por influência
Rasteja por atenção.
«Vejam como é a puta
Que pariu esta poesia puta»
Gostaria ela de não dizer
Mas diz a poesia vendida.
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
EM BAGDADE, TODAS AS MANHÃS
As famílias já não precisam de despedir-se dos pais todas as manhãs
As famílias deixaram de ter pais todas as manhãs
As famílias perderam-se das famílias todas as manhãs de bagdade.
20-III-2007
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
PARIS, 1927
O que há nos olhos dum auto-retrato?
A coragem de ser em Paris 1927.
Estes olhos aguardavam de almada os olhos
O corpo o espírito.
Não sei de sarah sem almada
A não ser a suspeita levantada pelo
O que se ganhou?
O que se perdeu?
Sarah Affonso, Auto-Retrato, 1927
Col. particular
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Almada Negreiros,
Sarah Affonso
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
E
E de elegante
E de elaborado
E de espasmódico de efluente de ejaculatório de electrizante e de electromagneto de entusiamante e de espectaculoso
E de eia!
E de edificante de egrégio de emérito de engrandecido.
E de egipciano e de eleusínico
E do espanto.
E de enobrecido de efes-e-erres de elanguescente de envolvente e
[estiloso
E de escol
E de esmerilhado e também de elemental de escandido e de escorrente.
E de etnológico de ebanítico, de eldorado
E de escarlate de ele e de ella
E de ecuménico
E de espalhado
E de estuário.
E de edénico de espiritual e de espiritoso de enigmático de evanescente.
E de eficaz de estremecido e de excelente.
E de «Duke»
E de Ellington.
22-XI-2006
Ellington, «La Plus Belle Africaine»
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Duke Ellington,
o silêncio
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
O VELHO MILITANTE VÊ O MURO RUIR
E de repente percebeu que tudo aquilo por que lutara havia deixado de ser importante para as pessoas Perguntava-se até se alguma vez o fora Chegara a ter a impressão de que se sorriam dele Surdiu-lhe uma angústia enorme O peito doía-lhe e comprimia-se Vivera em vão e isso estava para além do que podia suportar
30-V-2006
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«da humanidade»,
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
DO IRRELEVANTE
As bibliotecas públicas não aguentam os nossos livros.
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«da impaciência»,
«é dos livros»
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
GANCHINHO
Põe no cabelo um ganchinho
Destapa a orelha deixa
Ver a curva do rosto até
Ao queixo assim de perfil
Fecha os olhos inclina-te
Para trás ligeiramente como se
Quisesses arrancar-me um beijo e não
Eu em desvario to cobiçasse.
4-I-2011
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
O ESCRIBA ADESTRADO
As palavras são como as mulheres há que saber pegar nelas da melhor maneira.
O que nem sempre sucede.
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