canta o teu canto mais doce
Crepúsculo dos Instantes
então ele disse que era deus
Íris
Sigilo
Velho amigo
segunda-feira, 9 de julho de 2012
domingo, 8 de julho de 2012
Antologia improvável #2 - Rui Knopfli
ARDE UM FULGOR EXTINTO
Arde um fulgor extinto
no longe da tarde agoniada.
Não me pesaria tanto
a caminhada se, em lugar do dia,
no seu extremo achasse a noite.
Exacta e concisa é a claridade.
Não mente à luz o que a noite
ilude. Terrível destino
o de quem é nocturno à luz solar.
Não vos ponha em cuidado,
porém, este meu penar:
são palavras e não sangram.
Rui Knopfli, Mangas Verdes com Sal (1969) / Obra Poética, Lisboa, 2003.
Arde um fulgor extinto
no longe da tarde agoniada.
Não me pesaria tanto
a caminhada se, em lugar do dia,
no seu extremo achasse a noite.
Exacta e concisa é a claridade.
Não mente à luz o que a noite
ilude. Terrível destino
o de quem é nocturno à luz solar.
Não vos ponha em cuidado,
porém, este meu penar:
são palavras e não sangram.
Rui Knopfli, Mangas Verdes com Sal (1969) / Obra Poética, Lisboa, 2003.
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os poemas da minha vida,
Rui Knopfli
sexta-feira, 6 de julho de 2012
«CHAPELARIA» DE AUGUST MACKE (1914)
Alheada
Vê as novidades da estação
Pensando no homem distante.
Não o sabe atolado
Nesse mesmo instante
Numa trincheira da flandres.
Alheado
Vê um capacete francês
E dispara.
5/6-VII-2012
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«a guerra é a guerra»,
«a paleta e o mundo»,
August Macke
quarta-feira, 4 de julho de 2012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
FIM DE TARDE
Pássaros em bando a quem tivessem aberto as gaiolas
Frescas como a aragem que corre após um dia de trabalho
As lojistas passam em silêncio entrando
No fim de tarde de junho com os sacos
Cheios da tralha que só as mulheres usam
Algumas de óculos escuros outras
Cara a descoberto e cabelo apanhado
Vestidos de alças
Ombros nus que apetece beijar.
E eu
Vendo o desfile destas jovens mulheres
Chego a pensar que a vida é bela
Esquecendo por momentos os salários curtos
O horizonte estreito das suas existências
O futuro sem brilho que as espera.
Nada disso tem importância neste fim de tarde quente de junho
Soprando uma aragem que atinge em cheio rostos inexpressivamente belos
Tocados pela luz quase rasante de um sol-pôr
Por entre as frestas de casas muito velhas
Marcadas pelo verdete do inverno.
Sintra, 27-VI-2012
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«estesias»,
«excitações»
quarta-feira, 27 de junho de 2012
CRUZAMENTO
Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite
Álvaro de Campos
Não era para ser como foi vestido
Acima de bruços sobre um
Balcão qualquer.
De mulher nem o nome te sei
Ou o rosto fixei fora uns olhos
Escuros e quase cerrados como
A boca dizendo em segredo:
Havia de ser ali e já.
Não sei quem és
Não sei o que és
Sei que ficaste assim:
Um sorriso vago
E despojos de mim.
16-VI-2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
ESTESIA
Caderninho numa mão
A esferográfica na outra
O poema nasce.
20-VI-2012
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«da escrita»,
«estesias»
sexta-feira, 22 de junho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
terça-feira, 19 de junho de 2012
ler(n)os outros - 18-VI-2012
A boca é uma novena de silêncios, de Roberta Tostes Daniel
Blá-blá-blá ad infinitum, de Rodrigo Tomé
Dizer de Silêncio e Adoração, de Andrea de Godoy Neto
"Podia ser uma tarde perfeita", de António Geraldo Dias
Blá-blá-blá ad infinitum, de Rodrigo Tomé
Dizer de Silêncio e Adoração, de Andrea de Godoy Neto
"Podia ser uma tarde perfeita", de António Geraldo Dias
segunda-feira, 18 de junho de 2012
COMENTÁRIO A UM POEMA
Nada é mais belo que o seu desabrochar
O seio que a mulher dá
Com ternura aos filhos
Com paixão ao amado
Com tesão aos amantes.
Sugam os filhos
Beija agarra lambe o amado
Apertam trincam batem os amantes
Deixando o peito vermelho de dor e prazer.
E a mulher
Com olhar enlevado para as crias
Com um sorriso cúmplice para o macho
Cega de volúpia com os amantes
Dá-lhes o seio depois
Com o mesmo sorriso
Meigo cúmplice enlevado.
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«excitações»
sexta-feira, 15 de junho de 2012
RORY GALLAGHER: FOLLOW ME
A voz
Grave quase gutural
Amacia cada riff
Dedilhado com nervo
Como se a vida se esvaísse
Das cordas daquela fender.
Puro malte irlandês.
Grave quase gutural
Amacia cada riff
Dedilhado com nervo
Como se a vida se esvaísse
Das cordas daquela fender.
Puro malte irlandês.
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o silêncio,
Rory Gallagher
sexta-feira, 8 de junho de 2012
ROB ROY
Tudo se passou num segundo quando o juiz-de-fora saiu da estalagem da clareira na floresta Nem pudemos estranhar a inquietação das montadas Das highlands desceram os malditos jacobitas ululando cobertos com os tartans coloridos de cada tribo Só eu escrevente dos autos escapei com vida Poupou-me o que parecia ser o chefe para que pudesse espalhar a mensagem em londres «lembrem-se de culloden!»
quarta-feira, 6 de junho de 2012
MAGISTÉRIO
Oiço em haydn o seu discípulo beethoven.
Nitidamente.
Franz Josef Haydn, «Adagio - Allegro» da Sinfonia #104
Mozarteum Orchester Salzburg, Hubert Soudant
domingo, 3 de junho de 2012
A VIDA
Nos braços tivera
A mulher da sua vida
A mesma vida
Que lhe tirou dos braços
A mulher da sua vida.
A mulher da sua vida
A mesma vida
Que lhe tirou dos braços
A mulher da sua vida.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
RETIRANTES
A miséria
A beleza
A tragédia.
(Portinari,Retirantes, 1944
Museu de Arte de São Paulo, Assis Chateaubriand).
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«a paleta e o mundo»,
«mundo cão»,
Candido Portinari
segunda-feira, 21 de maio de 2012
PRECE
Chegar ao próximo natal é
Desde criança
O pedido que sempre faço ao deus em que não creio.
Desde criança
O pedido que sempre faço ao deus em que não creio.
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«auto-retratos»,
«da morte»
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