Com delicadeza apertava o formato
19x12,3 das suas 336 páginas evitando
Apor os polegares sobre a desmaiada
Ilustração a duas cores do stuart era
A primeira edição que tinha em mãos.
Horrorizava-o a bibliofilia os livros melhores
Amigos tratados como vil mercadoria coisa
Diferente era este nos seus mais de 80 anos
Não conhecera o autor mas sabia que tudo
Mudara com ele e para ele mercê destas
336 páginas em formato 19x12,3.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
AS PUPILAS DO SENHOR REITOR
(a Liberto Cruz)
Recusas abandonar essas páginas
O estilo dúctil perfeito enganoso
Na aparência os dramas modelados
Pela elegância das frases rejeitas
A fealdade do presente a
Profanação da inocência
Das crianças o aviltamento
Escravo a prostituição dos
Coetâneos o lixo
Não largas o teu júlio dinis
Mas repara bem escava-lhe a prosa
Maviosa a doce prosódia das personagens
E lerás também a nudez forte da verdade
A miséria moral a velhacaria a cupidez.
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«da humanidade»,
«é dos livros»,
«mundo cão»,
Júlio Dinis
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
TREMURA
Morta já há tanto tempo
Hoje vi a minha mãe chorar.
2-VIII-2012
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«da morte»,
«novembros»
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
OUTRO DIA, UM ACENO
De pé em velha chata
Ao largo um vulto acena
E grita alto como um
Murmúrio mais não permite
O motor e o calor é muito.
«Olá chico!...» atirei.
Trocamos saudações
À tona a memória
Já antiga quando
Críamos eu e o Chico
A vida toda como
Um permanente
Acenar inocente.
1/2-VIII-2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
AUTOBIOGRAFIA autorizada
I
1964-1969 estoril
E cascais o mar
Lenços nas cabeças
Das senhoras carros
Compactos e redondos
Com frisos de metal
Um sol luminoso
A minha pequenez os cães
Inocência.
II
1970-1979 cascais
E estoril as saias
Das mulheres
Jovens carros esguios
E descapotáveis
Um sol luminoso
Guitarra e voz
Inocência
Primeira visão da morte.
III
1980-1989 estoril
E cascais os corpos
Das raparigas carros
Velhos ferrugem
Um sol luminoso
Os cães a viagem
Inocência.
IV
1990-1999 estoril
E cascais a minha mulher
Todas as mulheres a vida
O mar os meus livros os meus
Carros a adultês
Um sol luminoso
O desengano.
V
2000-2012 cascais
A morte a vida os carros
Os carros os carros
Um sol luminoso
Os cães
A paz.
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«auto-retratos»,
«da morte»,
«da vida»
ler(n)os outros #8
À mão
Esquece
(ética)
Intuição
Mote para uma folha que caiu, amarela, de uma árvore
Pescadores da Torreira (Cabrita Alta)
Poema Visual -- Ovíparo
Um Dia Parti
Esquece
(ética)
Intuição
Mote para uma folha que caiu, amarela, de uma árvore
Pescadores da Torreira (Cabrita Alta)
Poema Visual -- Ovíparo
Um Dia Parti
sexta-feira, 27 de julho de 2012
COMÉRCIO
Dava-lhe os poemas que escrevia.
Toma dizia fica com eles lê
E ela incauta não sabia
Que trazia água no bico es-
-Se injusto comércio da poesia.
27-VII-2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
INTERIOR EM NICE
Tudo me conduz a nice
O mar
O passeio dos ingleses sobre o mar
A varanda sobre o passeio dos ingleses sobre o mar
Essa portada de ripas verdes entreaberta a recordar
A maresia da infância.
Tudo me leva a nice
E a esse balcão onde
Me aguarda não sei
Se o amor não sei
Se a morte.
Mas tudo me conduz a nice.
23/25-VII-2012
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«a paleta e o mundo»,
«infância»,
«mar»,
«ser e não ser»,
Henri Matisse
segunda-feira, 23 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Antologia Improvável #6 - Artur do Cruzeiro Seixas
Cada poema
cada desenho
são os marinheiros que navegaram na minha cama
são uma revolução não só gritada na rua
são uma flor nascendo nos campos
e é o luar e a sua magia
e é a morte que não me quer
e é UMA MULHER
surpreendente como um marinheiro
luminosa como a palavra REVOLUÇÃO
tão natural como o malmequer
tão metafísica como o luar
tão desejada como a morte hoje
A MINHA MÃE
infinita e profunda
como o mar.
Artur do Cruzeiro Seixas, Obra Poética, vol. I, Vila Nova de Famalicão, 2003.
cada desenho
são os marinheiros que navegaram na minha cama
são uma revolução não só gritada na rua
são uma flor nascendo nos campos
e é o luar e a sua magia
e é a morte que não me quer
e é UMA MULHER
surpreendente como um marinheiro
luminosa como a palavra REVOLUÇÃO
tão natural como o malmequer
tão metafísica como o luar
tão desejada como a morte hoje
A MINHA MÃE
infinita e profunda
como o mar.
Artur do Cruzeiro Seixas, Obra Poética, vol. I, Vila Nova de Famalicão, 2003.
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Artur do Cruzeiro Seixas,
os poemas da minha vida
quarta-feira, 18 de julho de 2012
EL OTRO LADO
A fronteira do inferno com a terra do leite e do mel
O paraíso entrevisto a expressão alvar
Dos ingénuos.
Mas o medo no cândido sorriso
Ignorante dos mastins à entrada
Do céu.
Arrancam-lhe a carne por um níquel
Descarnado e no cachaço palmadas
Condescendentes.
O espanto da perna amputada
Nos olhos.
O paraíso entrevisto a expressão alvar
Dos ingénuos.
Mas o medo no cândido sorriso
Ignorante dos mastins à entrada
Do céu.
Arrancam-lhe a carne por um níquel
Descarnado e no cachaço palmadas
Condescendentes.
O espanto da perna amputada
Nos olhos.
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«a guerra é a guerra»,
«da humanidade»,
«mundo cão»,
«o silêncio»,
Rich Hopkins
segunda-feira, 16 de julho de 2012
INCÊNDIO
Saboreias a vida foges
Aos compromissos sabes
Que outra não terás vives
Cada dia
O mais feliz da tua vida.
A impiedade duma sirene diz-
-Te: a vida não é assim.
12-VIII-2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
FALA DO HOMEM FALHADO
Pedes-me palavras
(Só tenho as sílabas do desespero para te dar)
Pedes-me amor
(Nada mais vislumbro senão carne faminta a saciar)
Pedes-me a imortalidade
E eu ergo o muro da descrença de alguma vez te ter.
(Só tenho as sílabas do desespero para te dar)
Pedes-me amor
(Nada mais vislumbro senão carne faminta a saciar)
Pedes-me a imortalidade
E eu ergo o muro da descrença de alguma vez te ter.
28-II-2008
quarta-feira, 11 de julho de 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
RETRATO
A luz própria que se desconhece
O modo aristocrata malgrée elle
A voz suave que não se impõe
O drapejar violeta que oculta as formas
Os olhos meigos atrevendo-se a não mostrar do que são capazes
O seu je ne sais quoi.
O modo aristocrata malgrée elle
A voz suave que não se impõe
O drapejar violeta que oculta as formas
Os olhos meigos atrevendo-se a não mostrar do que são capazes
O seu je ne sais quoi.
domingo, 8 de julho de 2012
Antologia improvável #2 - Rui Knopfli
ARDE UM FULGOR EXTINTO
Arde um fulgor extinto
no longe da tarde agoniada.
Não me pesaria tanto
a caminhada se, em lugar do dia,
no seu extremo achasse a noite.
Exacta e concisa é a claridade.
Não mente à luz o que a noite
ilude. Terrível destino
o de quem é nocturno à luz solar.
Não vos ponha em cuidado,
porém, este meu penar:
são palavras e não sangram.
Rui Knopfli, Mangas Verdes com Sal (1969) / Obra Poética, Lisboa, 2003.
Arde um fulgor extinto
no longe da tarde agoniada.
Não me pesaria tanto
a caminhada se, em lugar do dia,
no seu extremo achasse a noite.
Exacta e concisa é a claridade.
Não mente à luz o que a noite
ilude. Terrível destino
o de quem é nocturno à luz solar.
Não vos ponha em cuidado,
porém, este meu penar:
são palavras e não sangram.
Rui Knopfli, Mangas Verdes com Sal (1969) / Obra Poética, Lisboa, 2003.
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Rui Knopfli
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