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quinta-feira, 18 de julho de 2013

DA MORTE EM VIDA

Eu digo-te como é
A cara dos que sofrem
Muito aqueles que
As tuas lágrimas não 
Salvam e haviam já morrido
Quando deste por eles. 

É a cara da
Surpresa pelo 
Limite do 
Suportável da
Existência há
Muito passada.

Eles vivem sem 
Querer viver contra 
Eles vivem e nós miramos
De longe o rosto 
Da dor a máscara
Da desesperança a
Morte em vida.


Outubro 2008



quarta-feira, 25 de julho de 2012

INTERIOR EM NICE

Tudo me conduz a nice
O mar
O passeio dos ingleses sobre o mar
A varanda sobre o passeio dos ingleses sobre o mar
Essa portada de ripas verdes entreaberta a recordar
A maresia da infância.

Tudo me leva a nice
E a esse balcão onde
Me aguarda não sei
Se o amor não sei
Se a morte.

Mas tudo me conduz a nice.
23/25-VII-2012




sexta-feira, 13 de abril de 2012

RECORRÊNCIA

O pássaro na mão
E eu a pô-lo a voar.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

DEPOIS DE LER «O APRENDIZ SECRETO» DE ANTÓNIO RAMOS ROSA

O construtor sabe que veio do nada e vai para o nada   provém do magma imemorial das origens e sente que não existe outro futuro para além da poeira cósmica resultante da decrepitude inevitável do planeta   não lhe basta o instinto vital da procriação   frui cada corpo como matéria primeva e análoga a si   e luta   incessantemente luta o construtor por uma estética do bem que acolha a beleza e a fealdade imanentes   o sémen e os excrementos que fertilizarão a massa informe resultante da nova agregação do pó   até à eclosão dum outro universo   depositário das partículas de nada do construtor.