quinta-feira, 18 de outubro de 2012

YOU'RE GOING TO LOSE THAT GIRL

A timidez é uma fraqueza
Da alma a cobardia de ser.

Yes yes you’re going to lose that girl.

domingo, 14 de outubro de 2012

DA PERDA

As mães dão-nos (a)o mundo, e levam uma porção de nós com elas.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

MODO DE SER

À finura   prefiro a raça
À astúcia   a ingenuidade.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

EXORTAÇÃO

Se te detestas   porque não mudas?
 
Se não mudas   porque não acabas?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

VARANDA

O rio e o porto o mar
Que se abre eu vejo-
-Os da mais alta varanda
Da lapa trafaria em frente painéis
De almada na gare marítima
Adivinhados para lá do corredor
Do rádio a voz de amália "cais
De outrora" podia tudo acabar
Neste agora outrora sem
Futuro e acabava bem.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

SE BOCAGE ME CHEGASSE

Se bocage me chegasse
Pelas bicas diárias
De nicola tanto padre
Tanto frade tanta freira
Tanta puta e josé agostinho
Oh tanta mama e tanto cu
Tanto bufo e poetiso tanta
Tia flausina do recanto
Mais sombrio da costa
Do sol se por bicas diárias
De nicola me chegasse
Bocage.

21-IX-2012

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

EMIGRANTES (1928)

Com delicadeza apertava o formato
19x12,3 das suas 336 páginas evitando
Apor os polegares sobre a desmaiada
Ilustração a duas cores do stuart era
A primeira edição que tinha em mãos.

Horrorizava-o a bibliofilia os livros melhores
Amigos tratados como vil mercadoria coisa
Diferente era este nos seus mais de 80 anos
Não conhecera o autor mas sabia que tudo
Mudara com ele e para ele mercê destas
336 páginas em formato 19x12,3.



sexta-feira, 7 de setembro de 2012

AS PUPILAS DO SENHOR REITOR

(a Liberto Cruz)

Recusas abandonar essas páginas
O estilo dúctil perfeito enganoso
Na aparência os dramas modelados
Pela elegância das frases rejeitas

A fealdade do presente a
Profanação da inocência
Das crianças o aviltamento
Escravo a prostituição dos
Coetâneos o lixo

Não largas o teu júlio dinis

Mas repara bem escava-lhe a prosa
Maviosa a doce prosódia das personagens
E lerás também a nudez forte da verdade
A miséria moral a velhacaria a cupidez.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

OUTRO DIA, UM ACENO


De pé em velha chata
Ao largo um vulto acena
E grita alto como um
Murmúrio mais não permite
O motor e o calor é muito.

«Olá chico!...» atirei.

Trocamos saudações
À tona a memória
Já antiga quando
Críamos eu e o Chico
A vida toda como
Um permanente
Acenar inocente.
1/2-VIII-2012

segunda-feira, 30 de julho de 2012

AUTOBIOGRAFIA autorizada

I

1964-1969 estoril
E cascais o mar
Lenços nas cabeças
Das senhoras carros
Compactos e redondos
Com frisos de metal
Um sol luminoso
A minha pequenez os cães 
Inocência.


II

1970-1979 cascais
E estoril as saias
Das mulheres
Jovens carros esguios
E descapotáveis
Um sol luminoso
Guitarra e voz
Inocência
Primeira visão da morte.


III

1980-1989 estoril
E cascais os corpos
Das raparigas carros
Velhos ferrugem
Um sol luminoso
Os cães a viagem 
Inocência.


IV

1990-1999 estoril
E cascais a minha mulher
Todas as mulheres a vida
O mar os meus livros os meus
Carros a adultês
Um sol luminoso
O desengano.


V

2000-2012 cascais
A morte a vida os carros
Os carros os carros
Um sol luminoso
Os cães
A paz.

ler(n)os outros #8

À mão
Esquece
(ética)
Intuição
Mote para uma folha que caiu, amarela, de uma árvore
Pescadores da Torreira (Cabrita Alta)
Poema Visual -- Ovíparo
Um Dia Parti

sexta-feira, 27 de julho de 2012

COMÉRCIO

Dava-lhe os poemas que escrevia.

Toma dizia fica com eles lê
E ela incauta não sabia
Que trazia água no bico es-
-Se injusto comércio da poesia.
27-VII-2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012

INTERIOR EM NICE

Tudo me conduz a nice
O mar
O passeio dos ingleses sobre o mar
A varanda sobre o passeio dos ingleses sobre o mar
Essa portada de ripas verdes entreaberta a recordar
A maresia da infância.

Tudo me leva a nice
E a esse balcão onde
Me aguarda não sei
Se o amor não sei
Se a morte.

Mas tudo me conduz a nice.
23/25-VII-2012




sexta-feira, 20 de julho de 2012

TÁCITO

Ela empina-se em silêncio
Cruzamos o olhar

O rio segue o seu curso.

Antologia Improvável #6 - Artur do Cruzeiro Seixas

Cada poema
cada desenho
são os marinheiros que navegaram na minha cama
são uma revolução não só gritada na rua
são uma flor nascendo nos campos
e é o luar e a sua magia
e é a morte que não me quer
e é UMA MULHER
surpreendente como um marinheiro
luminosa como a palavra REVOLUÇÃO
tão natural como o malmequer
tão metafísica como o luar
tão desejada como a morte hoje
A MINHA MÃE
infinita e profunda
como o mar.

Artur do Cruzeiro Seixas, Obra Poética, vol. I, Vila Nova de Famalicão, 2003.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

EL OTRO LADO

A fronteira do inferno com a terra do leite e do mel
O paraíso entrevisto a expressão alvar
Dos ingénuos.

Mas o medo no cândido sorriso
Ignorante dos mastins à entrada
Do céu.

Arrancam-lhe a carne por um níquel
Descarnado e no cachaço palmadas
Condescendentes.

O espanto da perna amputada
Nos olhos.