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quinta-feira, 29 de agosto de 2013
FIM DE TARDE
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«estesias»,
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Nina Simone
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
O QUE PASSA
Um sol morno que perfura as nuvens e te aquece
Uns seios que apetece trincar
O cheiro molhado da terra
O cão que te abana a cauda
O encontro no chegar a casa
A ilusão de óptica nas jantes dum carro inglês
Aquela frase que te saltou do livro
O verso que veio ter contigo
Um looping de avioneta no céu de cascais
Um vestido curto de fêmea
Uma bica com café do nabeiro
Um sax que não se sabe de onde vem.
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012
VARANDA
O rio e o porto o mar
Que se abre eu vejo-
-Os da mais alta varanda
Da lapa trafaria em frente painéis
De almada na gare marítima
Adivinhados para lá do corredor
Do rádio a voz de amália "cais
De outrora" podia tudo acabar
Neste agora outrora sem
Futuro e acabava bem.
Que se abre eu vejo-
-Os da mais alta varanda
Da lapa trafaria em frente painéis
De almada na gare marítima
Adivinhados para lá do corredor
Do rádio a voz de amália "cais
De outrora" podia tudo acabar
Neste agora outrora sem
Futuro e acabava bem.
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Almada Negreiros,
Amália Rodrigues
segunda-feira, 2 de julho de 2012
FIM DE TARDE
Pássaros em bando a quem tivessem aberto as gaiolas
Frescas como a aragem que corre após um dia de trabalho
As lojistas passam em silêncio entrando
No fim de tarde de junho com os sacos
Cheios da tralha que só as mulheres usam
Algumas de óculos escuros outras
Cara a descoberto e cabelo apanhado
Vestidos de alças
Ombros nus que apetece beijar.
E eu
Vendo o desfile destas jovens mulheres
Chego a pensar que a vida é bela
Esquecendo por momentos os salários curtos
O horizonte estreito das suas existências
O futuro sem brilho que as espera.
Nada disso tem importância neste fim de tarde quente de junho
Soprando uma aragem que atinge em cheio rostos inexpressivamente belos
Tocados pela luz quase rasante de um sol-pôr
Por entre as frestas de casas muito velhas
Marcadas pelo verdete do inverno.
Sintra, 27-VI-2012
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segunda-feira, 25 de junho de 2012
ESTESIA
Caderninho numa mão
A esferográfica na outra
O poema nasce.
20-VI-2012
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«da escrita»,
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sexta-feira, 27 de abril de 2012
MUNDO DE AVENTURAS
Uma pequena aldeia na planície arménia
Nevoeiro matinal no porto de dieppe
O silvar agudo no cimo dos cárpatos
Um castelo solitário num lago escocês
Um junco chinês no mar do japão
Um trilho de camelos na rota da seda
Um catre vazio no mosteiro da arrábida
Uma via romana na serra do gerês
Uma mesa de cozinha e odores de outono
Um eucaliptal onde brinco com o avô
O último número da revista tão esperada
Despojos da infância que se me acabou.
21 de Março de 2001
Nevoeiro matinal no porto de dieppe
O silvar agudo no cimo dos cárpatos
Um castelo solitário num lago escocês
Um junco chinês no mar do japão
Um trilho de camelos na rota da seda
Um catre vazio no mosteiro da arrábida
Uma via romana na serra do gerês
Uma mesa de cozinha e odores de outono
Um eucaliptal onde brinco com o avô
O último número da revista tão esperada
Despojos da infância que se me acabou.
21 de Março de 2001
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