Transforma-se em chumbo
Todo o ouro em que tocas.
É uma maldição que te guarda
Ou protege.
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sábado, 25 de outubro de 2014
quarta-feira, 16 de maio de 2012
POEMA SEM MERCADO
Todas as palavras que aqui escrevo
Têm uma dignidade que não se sujeita
Ao comércio que rejeito e rejeitas
Não se vendem não se compram
Não se trocam por nada.
Toma-as pelo que são
Maus versos talvez
De súplica e exaltação
Uma dádiva da privação
Mas não te esqueças nunca
Cada palavra aspira à suprema
Qualidade de ser o que é
Inteira e livre
Como tu.
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quarta-feira, 11 de abril de 2012
PERSEGUIÇÃO
Se te distraíste quando falavas e as palavras resvalaram
Se deixaste ferver em demasia a água para o chá
Se um frémito te invade o centro do corpo e sobe até o esmagares com os lábios
Fui eu que passei por baixo da tua janela para estar mais próximo
Fui eu que rondei a tua casa na esperança de te ver à porta.
Eu
Que me recuso a largar-te e não te deixo em paz.
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sexta-feira, 30 de março de 2012
MESSAGE IN A BOTTLE
Deixa-lhe bilhetes para a eternidade
Certo de que só no corpo se alcança a ventura.
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sexta-feira, 23 de março de 2012
O IMPOSTOR CAI EM SI, E SUPLICA
Agora que me trato por tu
E se desfez a pose fingida
Do sedutor considera a
Pele na pele a boca na
Boca as mãos por todo
O lado permite conceder-
Nos uma fracção de ternura
Uma fracção de (e com isto
Liquido já o poema) tremura.
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quarta-feira, 21 de março de 2012
FOLHA
Não a queria
Vergada ou
Quebrada antes
Folha soltando
Se e caindo
Inexorável
m
e
n
t
e
Sobre
Si.
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segunda-feira, 19 de março de 2012
RÉPLICA
Eras nesse casamento a imodéstia do vestir
Simples de todos os dias.
Simples de todos os dias.
Divergias das fêmeas ciosas na igreja
Opulentando de transparência os vestidos
Decotes pelo peito abaixo saltos agulha
Em velado convite à cobrição.
E eras em tudo mais que elas
Em mérito em cérebro em desejo
Ardente que uma natural reserva
Não conseguia comigo conter-se.
Quase nada era preciso
Para cairmos um no outro.
Mas não sabes ou saberás
Pois isto nunca verás
Que não eras tu quem eu queria
Pequena árabe
(Ou israelita)
Há séculos convertida
Retrato da que há anos me agrilhoa.
Tivéssemo-nos tido doce judia
(Ou agarena)
E seria em outra mulher que eu julgaria estar
O original de ti réplica
Involuntária e imerecida
Na minha cabeça desaustinada.
A que tarde ou cedo lerá estes versos
Sabendo que é dela que falo e me consome
E se consome pelo medo de se deixar amar.
13-III-2012
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